Dicas e Roteiros

Mamirauá: um destino ecologicamente correto na Amazônia

Falar em ecoturismo na Amazônia é até redundância. Afinal, o que há de mais atrativo naquela região que a própria floresta, seus rios, sua fauna, de beleza e diversidade inigualáveis? Por ser uma das últimas grandes reservas de recursos naturais – são 3,3 milhões de quilômetros quadrados, só no Brasil – e o local mais rico em biodiversidade do planeta, a Amazônia tem uma vocação natural para o turismo ecológico, atraindo pessoas de todo o mundo. E o que não falta são belíssimos destinos para o visitante, como a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, localizada no município de Tefé, no coração do Estado do Amazonas.

A Reserva foi criada em 1990 como estação ecológica pelo Governo do Estado do Amazonas. Em 1996, quando se concluiu seu plano de manejo (documento que determina como será o uso e zoneamento de qualquer unidade de conservação), ela foi transformada em Reserva de Desenvolvimento Sustentável, categoria inédita então, que permite a residência de moradores dentro da área e o desenvolvimento de atividades de uso sustentável. Seu principal objetivo é proteger as várzeas da confluência dos rios Solimões e Japurá. Hoje, quem gerencia a Reserva é o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (www.mamiraua.org.br), em parceria com o Estado.

Na Amazônia o difícil acesso e as longas distâncias encarecem tanto produtos, quanto serviços para os visitantes. Por isso há mais turistas estrangeiros que brasileiros na região. Os deslocamentos são feitos por barco – os rios são as rodovias naturais da Amazônia – ou por avião, o que torna o transporte um dos elementos mais caros. Mas todo o investimento vale a pena quando se chega a recantos belíssimos como Mamirauá. Com uma área total de 1.124.000 hectares, a reserva é um exemplo de como é possível conciliar visitação com a preservação do ecossistema, pesquisa científica e aumento de renda para a população local, enfim, o tão falado desenvolvimento sustentável.

As principais atividades de Mamirauá concentram-se em uma área de 260 mil hectares, onde vivem cerca de 60 comunidades ribeirinhas, em meio a muita água, a uma exuberante mata tropical, rica em espécies nobres. Sua fauna diversificada conta com 300 espécies de peixes, 400 de aves e 45 de mamíferos, algumas delas endêmicas.

Mamirauá conseguiu unir população ribeirinha e cientistas em torno de um só projeto. Assim foi realizado o plano de manejo para orientar os ribeirinhos na exploração sustentável da fauna e flora locais, através da pesca, da extração da madeira e do ecoturismo, além de torná-los fiscais da área, evitando sua degradação. Entre seus atrativos estão passeios com guias locais em lagos e trilhas para observação da fauna amazônica e visitas às comunidades locais para conhecer o modo de vida das populações ribeirinhas.

É aconselhável que os passeios sejam feitos na parte da tarde, quando o sol começa a baixar um pouco e o calor, típico da Amazônia, diminui. As trilhas, em geral, são curtas e podem ser percorridas em, no máximo, três horas. No entanto, só é possível fazê-lo no período da seca, de agosto a dezembro. Por se tratar de um ecossistema de Várzea, uma floresta inundada por rios amazônicos ricos em sedimentos, na época da chuva, que vai de janeiro a julho, possivelmente as trilhas deverão ser percorridas somente por canoa.

Para chegar lá o melhor trajeto é ir até Manaus, capital do Estado do Amazonas, depois seguir até o município de Tefé por avião ou barco e de lá pegar uma lancha por cerca de uma hora e meia até a Reserva. Mamirauá fica a 600 quilômetros a oeste de Manaus. E não se esqueça de levar filtro solar, repelente para insetos, roupas confortáveis, binóculo, e no caso de ser alérgico, seus medicamentos pessoais.

A Reserva Mamirauá é uma das unidades internacionalmente protegidas pela Convenção Ramsar, que agrupa áreas alagadas de interesse mundial. O projeto é administrado pela Sociedade Civil Mamirauá, uma ONG sem fins lucrativos, que recebe apoio financeiro do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq/MCT), da cooperação bilateral britânica (DFID), do World Conservation Society (WCS) e da Comissão Européia (CE), entre outras instituições que apoiam as atividades do projeto de diversas maneiras. Mamirauá faz parte do maior corredor ecológico brasileiro, juntamente com a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Amanã e o Parque Nacional do Jaú, no Estado do Amazonas. Somados, estes santuários da vida silvestre encobrem uma área de 5,74 milhões de hectares.

Gigante pela própria natureza Os números mostram a grandiosidade da floresta amazônica.

• Dos seus 6 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 3,3 milhões está dentro de território nacional, ou seja, mais de 50% da floresta;

• Abrange 9 países: Brasil, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Suriname e Guiana Francesa.

• É o maior bioma terrestre do planeta;

• Possui a maior bacia hidrográfica e rio do mundo, o Amazonas, com uma extensão de cerca de 6500 km;

• A maior diversidade de fauna e flora do mundo;

• Os dois pontos mais altos do território brasileiro, o Pico da Neblina e o 31 de março;

• A maior reserva mineral do planeta;

• Representa um terço de toda a área de florestas tropicais no mundo (35% de todas as florestas do planeta);

• Maior fonte natural no mundo para produtos farmacêuticos e bioquímicos;

• As árvores chegam a atingir mais de 50 metros de altura;

• A maior flor do mundo, a vitória-régia, conhecida como a “rainha dos lagos”;

• Das 483 espécies de mamíferos existentes no Brasil, cerca de 300 (70%) vivem na floresta;

• Mais de 3 mil tipos de peixes;

• Mais de 1300 espécies de pássaros;

• Cerca de 300 espécies de répteis.


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